EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONHECENDO O PENSAMENTO DE ESTUDANTES DE ECOLOGIA. ESBOÇO PARA UMA ANÁLISE*
Mara Glacenir Lemes de Medeiros
**Maria do Socorro Tenório Baumgartner**
Resumo:
O artigo relata a pesquisa de pequeno porte realizada com estudantes de pós-graduação - mestrado e doutorado - do curso de Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais da Universidade Estadual de Maringá - PR, em 1998. Realizou-se a pesquisa para compreender como estudantes de ecologia relacionam sua ciência a outras áreas e suas visões acerca da natureza. Os resultados mostraram que os estudantes de ecologia entrevistados se detêm mais em sua formação como biólogos e não alcançam um pensamento interdisciplinar.Palavras-chave: educação ambiental, visão interdisciplinar
Abstract: The article tells the research of small load accomplished with masters degree students - master's degree and doctorate - of the course of Ecology of Continental Aquatic Envinronments of the State University of Maringá - PR, in 1998. The research took place to understand as ecology students relate your science to other areas and your visions concerning the nature. The results showed that the ecology students interviewed stop more in your formation as biologists and they don't reach a interdisciplinate thought.
Keywords: environmental education, interdisciplinate vision
(...) Qual o problema, então, se uma dúzia ou uma centena de árvores tivesse de ser derrubada para achar um espécime das mais raras? Os caboclos não hesitavam; eram capazes de abater uma árvore em busca de uma colmeia ou de um animal. Charles Darwin, ao acompanhar uma equipe de caça próximo à cidade do Rio de Janeiro, se admirara quando um de seus rudes anfitriões derrubara uma árvore porque um macaco que ele alvejara no dia anterior não caíra no solo...Qual o problema, então, se todos os exemplares de uma espécie rara fossem removidos? De fato, era do interesse do agente comercial que todos lhe fossem trazidos, sem deixar nada para os outros. Warren Dean.
Quem vier depois que se arranje. Velho provérbio brasileiro. Warren Dean
Quem vier depois que se dane Provérbio nosso.
1. Introdução
Dean (1997) decisivamente quebrou nosso orgulho nacional. Este historiador norte americano em seu livro "A Ferro e Fogo: a história e a devastação da mata atlântica brasileira", colocou como obrigatória para todos que se preocupam com ecologia, história ambiental e educação ambiental, a leitura sobre a devastação da flora e fauna na Mata Atlântica, enfatizando a cultura de depredação dos portugueses que colonizaram o Brasil. E mais, uma cultura que permanece entre nós pobres ou ricos, cientistas ou leigos.
A ferro e fogo pareceu-nos o lado trágico do cômico filme Carlota Joaquina de Carla Camuratti. Nossa herança realmente foi o machado e não a árvore.
Nas duas últimas décadas do nosso século, a Educação Ambiental (EA) vem sendo apresentada como uma das alternativas para "salvar o Planeta Terra". Em nosso entendimento parece tratar-se de um equívoco, pois há muitas áreas/questões que fazem fronteira com a educação ambiental. Como diz Flickinger (1994) o termo educação antes de ambiental é problemático porque tem gerado a idéia de que a prática nessa área possa ser igual à prática de ensino na escola, estéril e cheia de erros científicos.
A expressão Educação Ambiental popularizou-se de tal forma em todo o mundo que, por muitas vezes, tornou-se banalizada. Geralmente a EA está associada a uma preocupação com o meio ambiente e com a crise ambiental global. Na expressão de Capra (1982, p.19) essa crise:
É uma crise complexa, multidimencional, cujas facetas afetam todos os aspectos de nossa vida - a saúde e o modo de vida, a qualidade do meio ambiente e das relações sociais, da economia, tecnologia e política. (...) Pela primeira vez, temos que nos defrontar com a real ameaça de extinção da raça humana e de toda a vida na planeta.
Nessa perspectiva, emergiram os movimentos sociais e ambientalistas e a sociedade civil passou a considerar o meio ambiente parte de suas preocupações.
A compreensão sobre o surgimento da Educação Ambiental perpassa obrigatoriamente pelo estudo do contexto histórico-político-cultural no qual surgiu o movimento ecológico. Isto pode ser feito através de estudos de Viola (1987) e Gonçalves (1996). E quanto aos antecedentes históricos da educação ambiental, no âmbito internacional e nacional encontramos as pesquisas em Dias (1993), Mininni (1994), Guimarães (1995) e Leonardi (1997).
O nosso problema de pesquisa na área de Educação Ambiental encontrou fundamentação nas idéias de Hans-Georg Flickinger em "O Ambiente Epistemológico da Educação Ambiental" e em Mauro Grün, no seu livro "Ética e Educação Ambiental: a conexão necessária". Ambos investigaram as bases epistemológicas da Educação Ambiental no Brasil.
Flickinger (1994, p.198) afirmou que "as discussões em torno da educação ambiental ainda não chegaram à criação de princípios ou critérios claros, capazes de oferecer base segura a partir da qual poderíamos pensar em projetos de implementação de uma respectiva prática de ensino", pois as diversas disciplinas (Educação, Pedagogia, Ecologia, Biologia, etc.), envolvidas nas questões ambientais, demonstram sua impotência para tratar a complexidade do meio ambiente.
Grün (1996) reafirmou o fato de não haver linhas teóricas claramente definidas que possam subsidiar a reflexão necessária sobre a educação ambiental, capazes de buscar elementos para pensar a dimensão ética da educação ambiental. Ele mostrou as impossibilidades que o pensamento científico moderno impôs à EA e aponta algumas alternativas para superar esse quadro desenvolvido em vários partes do mundo.
A ausência de estudos filosóficos e epistemológicos da chamada educação ambiental, permite-nos verificar que existe uma imensa confusão a respeito do que é EA. Citaremos alguns pontos importantes acerca dessa indefinição:
Atualmente, qualquer pessoa "torna-se" um educador ambiental, só pelo fato de saber "falar de biologia, de natureza, de animais, plantas, proteção disso e daquilo", tentando assim fazer alguma coisa para "salvar o meio ambiente". Nesse caminho, muitos se tornaram adeptos de uma educação ambiental entendendo-a como uma disciplina de receituários para aplicação pragmática. Essa concepção vigora sobretudo dentro das escolas na formação de jovens e crianças. Assim, a maioria das pessoas, sejam técnicos autônomos, técnicos de órgãos públicos ou de Órgão Não Governamental ONG, etc., levam-nos a fazer várias perguntas, tais como: Como se faz educação ambiental? O que é educação ambiental?
O que existe no tratamento do meio ambiente no final das últimas décadas, com raras exceções, é um revisionismo das questões ambientais. O revisionismo caracterizado pelo querer "mudar o mundo", é um conceito inflacionado segundo Grün, porque sempre afirmamos a necessidade de mudar comportamentos humanos através de ciências como Ecologia, Biologia, etc., porém, o verdadeiro questionamento sobre as relações homem e natureza e qual o contexto (antropocêntrico) em que estamos inseridos histórica, política, econômica e culturalmente, não tem sido discutido e/ou investigado.
A "mudança do mundo" por meio da educação ambiental está fortemente condicionada à elaboração de princípios, objetivos, formas de comportamento do ser humano com relação à natureza, que se faz seguindo um receituário elaborado por técnicos de diversas áreas de formação (a chamada interdisciplinaridade) e colocados em prática através de "educação, capacitação, treinamentos ou adestramentos" de pessoas, ou ainda através de livros e manuais com fórmulas prontas.
Não estamos de acordo com esse revisionismo praticado até o momento, por isso buscamos uma definição de educação ambiental, mas do ponto de vista de uma educação científica, sem abandonar as transformações valorativas naqueles que se educam formal ou informalmente.
Nosso problema para elaborar a pesquisa apresentada foi: Qual a concepção de Educação Ambiental de alunos do curso de pós-graduação Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais para a prática de ações de Educação Ambiental? Será a criticada por Grün e Flickinger ou nós, futuros ecólogos, temos algo a mais para contribuir com essa nova área?
2. Nossa Pesquisa
Vamos apresentar neste item o estudo realizado no período de dezembro de 1998 a janeiro de 1999, no qual nos propusemos verificar qual a formulação conceitual que alunos do Curso de pós-graduação (Mestrado e Doutorado) em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais da Universidade Estadual de Maringá UEM, PR, dão à Educação Ambiental.
Baseados na leitura de Grün, trabalhamos com uma abordagem qualitativa, apresentando aos alunos entrevistados um trecho do livro de Grün e duas perguntas, deixando que eles se expressassem livremente por meio da gravação da resposta, com o consentimento do entrevistado.
Para melhor compreensão do pensamento desses futuros cientistas, na área de ecologia selecionamos aleatoriamente os alunos. Metodologicamente elaboramos uma entrevista e apresentamos a oito alunos dos 67 matriculados até o ano 1998. Um deles negou-se a participar. As questões apresentadas foram:
A) Trecho do livro de Grün:
O Brasil, enquanto país subdesenvolvido, deve antes de mais nada se preocupar com os problemas relacionados à pobreza, para depois se ocupar dos problemas ecológicos.
(Barreto, apud Grün, 1996, p.53)B) Perguntas:
Para você existe uma educação ambiental e outra não ambiental?
Você considera que para despertar a consciência ecológica nas pessoas é preciso transformar, revolucionar e mudar nosso modo de vida, porque senão a revolta da natureza e a destruição da espécie humana será inevitável?
3. A fala dos alunos do curso de Pós-Graduação em ecologia de ambientes aquáticos continentais da universidade estadual de Maringá (Mestrado e Doutorado)
1) O Brasil, enquanto país subdesenvolvido, deve antes de mais nada se preocupar com os problemas relacionados à pobreza, para depois se ocupar dos problemas ecológicos.
É talvez boa parte da população brasileira concorde com essa frase, por causa da própria falta de conscientização e pelo fato da preocupação com os problemas ecológicos ser uma coisa um fato recente ainda. E uma não exclui a outra, a pobreza e os problemas relacionados à ecologia estão muito relacionados porque o sistema capitalista que sempre privilegia uma minoria sendo que a maioria da população fica excluída. Então, a preocupação com os problemas relacionados com a pobreza e com os problemas relacionadas à ecologia devem caminhar juntas, com uma política que se preocupe um pouco menos com o capital, dê mais ênfase aos problemas que são mais importantes.
Acho que em relação a pergunta um, a pobreza gera os problemas ecológicos, acho que se não se resolve um não se resolve outro, um está atrelado ao outro. Acho que a ocupação desordenada, é por exemplo uma conseqüência de pobreza, e a ocupação desordenada só causa danos ao ambiente, danos à região que está sendo ocupada. Você por exemplo. não tem esgoto, que é uma característica de pobreza, você não ter esgoto encanado, isso gera um problema ambiental muito grave, você não ter água tratada que é mais uma condição de miséria e de pobreza, também é um problema ambiental, acho que não se resolve um sem resolver o outro, uma vez que atacar a pobreza vai atingir os problemas ecológicos, pelo menos os mais graves, acho que se resolve. Tem também o problema das indústrias, mas isso aí já não está relacionado com o problema colocado na pergunta, que é a pobreza.
Não concordo, porque geralmente os problemas ecológicos estão relacionados com a pobreza. E a pobreza também pode trazer problemas ecológicos, porque a pessoa não tem uma instrução adequada, não tem um conhecimento do funcionamento aprofundado das coisas. Também não dá valor para o ambiente, mas também ele pode, o ambiente deteriorado, por exemplo, trazer problemas de saúde e até problema de pobreza. No caso de falta de alimentos, baixa produtividade, os dois estão relacionados. Tem que se cuidar dos dois, sem priorizar um ou outro.
Revendo a pergunta... Acho que pobreza em função dos problemas ecológicos, essas coisas devem caminhar juntas, porque pobreza, primeiro uma coisa depois a outra, não tem sentido, porque as duas devem caminhar juntas. Quando você tem uma população, por exemplo, de um país subdesenvolvido sim, mas não é porque você é subdesenvolvido que você vai deixar as questões ecológicas de lado. A nível de se investir em problema para melhorar essa situação de pobreza você tem que investir em educação para melhorar isso. Uma vez que investir em educação vai resolver uma grande parte dos problemas ecológicos. Tendo educação e cultura, as pessoas vão entender melhor como lidar com tudo isso. É aí que as coisas caminham juntas.
A questão ecológica está muito relacionada à questão cultural. E a questão cultural leva muito à falta de história, de informação e esta leva a muitos os problemas de pobreza. E só trabalhar os problemas ecológicos para chegar a trabalhar pobreza, é um luxo de país desenvolvido, onde não existe miséria e fome, mas, no Brasil, as duas coisas têm que caminhar em conjunto, paralelamente. Às vezes precisa de auxílio, a emergência do problema, em termos de educação, saúde, comida, sem esquecer que isso não resolveria nada, sempre voltará a se repetir os mesmos problemas, sem trabalhar a questão cultural e ecológica. Só pensando mais, as duas são paralelas, não são independentes, citando meu trabalho, que liga as ciências humanas relacionadas com as questões ecológicas. Enfoco duas formas de ver o mesmo problema.
Quanto a questão nΊ 1, acho que deve se preocupar com os dois, porque principalmente com relação à ecologia humana estão interrelacionados, pobreza e problema ecológico. Aí vai para doença, favela e dentro da ecologia humana estão interrelacionados, não dá para separar.
Acho que não deve se preocupar antes com a pobreza e depois com os problemas ecológicos, porque é difícil separar as duas coisas. Acho que a gente estar com problemas no aspecto ecológico é resultado de outra situação, que é o nível social do país e acho que isso entra numa espiral. Você acaba com ambiente atrás de um recurso rápido e relativamente rentoso, tá! Mas não é renovável a curto prazo. Não existe um trabalho para isso. Então acho que pode levar as duas coisas ao mesmo tempo.
A questão da pobreza eu acho que seja além de uma distribuição mais justa de renda, que é possível. E que existe poder para isso, tanto renda, quanto um poder político para isso. Acredito que os problemas ecológicos vão ser resolvidos como um resultado, uma conseqüência dessa história toda.
As questões que você coloca são interligadas, por exemplo, a 2ͺ questão, existe uma educação ambiental e outra educação não ambiental, eu acredito que existe uma "não ambiental" pelo simples fato de você querer resultado rápido, querer resultado imediato. Por exemplo, lá na Amazônia isso é muito visível, a pessoa vai lá derruba todas as árvores, consegue o que quer e acabou o que existe naquela área e muda de área. Não resolve o problema regional de pobreza e também não resolve o problema de sustento daquelas pessoas que estão extraindo o que existe ali e também não acaba com nada, acaba com o meio ambiente e a pobreza continua do mesmo jeito, com exceções, dos que coordenam isso tudo, quer dizer, dos que tiram proveito financeiro dessa história toda. Acho que se a gente conseguir mudar a consciência da população e mostrar o que existe de importante nessa história toda, eu acho que tanto a pobreza quanto os problemas ecológicos, como uma conseqüência, serão resolvidos. Mas isso não é a curto prazo isso é coisa de 50, 60, talvez 100 anos, se o nosso ambiente agüentar tudo isso.
Voltando à questão 1, não sei se podemos deixar de resolver uma coisa em detrimento da outra, porque a outra também é ponto crucial. No sentido global, nem a nível de Brasil, América do Sul, não sei se você resolve a pobreza hoje, se essas pessoas que vão passar da classe baixa para faixa média, vão ter algo para consumir, quando se resolver cuidar da natureza. Não sei se isso pode ser desvinculado. Parece coisa de filme, mas é assim mesmo, eu vejo que estamos no limiar. Daqui a pouco o petróleo acaba, as reservas são limitadas, carvão também, não estão disponíveis assim. Acho difícil superar as duas coisas, têm que ser levadas em paralelo.
2) Para você existe uma educação ambiental e outra não ambiental?
Não, ambiente é tudo que nos cerca e então toda a educação é ambiental. Toda a educação tem que estar no contexto do ambiente que nos cerca.
Quanto a existir educação ambiental e educação não ambiental acho que infelizmente existe, acho que as pessoas estão pouco preparadas para fazer educação ambiental, elas confundem educação ambiental com a educação que é mais biológica, ficam dando aula de biologia sem falar realmente de comportamento do ambiente, como você utilizar o ambiente e de que maneira você não degradar, acho difícil das pessoas atingirem. Acho que educação não ambiental ocorre com mais freqüência.
O que se pratica é isso, tem a educação da escola, por exemplo: não dá nada a respeito de conhecimento do meio ambiente. Devia ser uma só, tudo que vai se aprendendo você vai tirando aquela aplicação tanto para o ambiente como com o meio ambiente, e isso deve ser educação do ambiente.
Não, eu acredito que você dá em educação, e a educação já tem que incluir a ambiental. Que tipo de educação seria? Não levaria, não acredito a nenhum desenvolvimento do ser humano. Não poderia ser paralela, é que nem na agronomia, onde o pessoal sugeriu agricultura e agricultura alternativa. Então, ou você dá uma agricultura viável, onde há técnicas que você trabalha com o profissional ou você não adianta propor uma alternativa e uma técnica que não seja viável. Acho que teria, não é o termo que muda, não daria para separar as coisas. Quando a gente fala em educação ambiental e outra não ambiental vai depender da noção que você tem de ambiente, porque se você coloca como parte do ambiente, não existe diferença entre ambiental e não ambiental, porque a gente faz parte do ambiente. Não vejo porque separar isso.
Atualmente ela está afunilando, está indo para uma Educação Ambiental. Você percebe no 1o grau e no 2o grau, cada vez mais está tendo uma educação ambiental, deixando de ser separado, a gente vê isso com um pouco de experiência no 1Ί grau, quando vê lá, os outros colegas.
Essa questão de educação ambiental e não ambiental é justamente o interesse em resultado imediato, sem pensar nas conseqüências, a curto e médio prazos. A pessoa que fica no mato, para extrair seja o que for, ele não tem consciência do que isso vai acarretar, o que interessa para ele é o resultado imediato, próximo para a sobrevivência dele até o problema dela, ou dificuldade. Acho que a educação não ambiental não é uma educação formal, é o resultado obtido de uma condição de vida de determinados grupos da população têm. A população urbana não tem muita noção disso daí. A urbana realmente não tem muito contato com o ambiente, vem tudo pronto para ele, tem lá no supermercado tudo o que ele quer. Não tem noção do que é preciso fazer para que ele consiga aquilo que está à disposição dele. Não tenho essa noção, talvez se começasse a Educação ambiental a mostrar para população o que é necessário para você conseguir petróleo, a madeira que vem dessa escrivaninha ou celulose do papel, aquela carne. O que é que eles fazem, derrubam mata, montam o pasto, o que significa para você inserir um organismo estranho no ambiente para ele ter carne de javali, uma carne de peixe exótico, truta e salmão, eles não têm noção. Talvez se a gente mostrar isso para eles, você consiga uma resposta não sei como, se diminuir o consumo de uma coisa para aumentar outra ou uma pressão da sociedade para que isso seja revertido.
3) Você considera que para despertar a consciência ecológica nas pessoas é preciso transformar, revolucionar e mudar nosso modo de vida, porque senão a revolta da natureza e a destruição da espécie humana será inevitável?
Acho que sim, porque, considerando que o despertar dessa consciência ecológica é uma coisa que depende também da gente, com essa área que a gente trabalha, acho que tem que começar mudando pela gente, pela nossa visão de mundo, das coisas. Mudando os nossos conceitos, os conceitos que a gente traz, que foram passados desde o primário, para nós um conceito melhor, e voltado para a realidade do mundo agora, e a natureza está muito mudada e a gente tem que começar a pensar de uma maneira nova.
Acho que para a pergunta 3, talvez a mudança não precisa ser tão drástica, acho que não precisa revolucionar, acho que tem que ter mudança sim, mas as mudanças não precisam ser tão drásticas, com coisas simples, se consegue garantir uma vida ecologicamente correta, digamos assim, o tal do desenvolvimento sustentável que tanto se fala, não é tão difícil de atingir. Acho que na verdade, primeiro falta conhecimento e muitas vezes falta interesse em fazer o desenvolvimento sustentável, por exemplo. Precisa fazer mudança sim, porque senão, não se consegue atingir metas pequenas, mas não acho que as mudanças tenham que ser tão revolucionárias, você pode chegar a um ponto dentro da natureza de que falte condições básicas para sobreviver, a gente sabe que muitos recursos que a gente usa e precisa e são básicos para nossa sobrevivência, eles não são renováveis. Você pode esgotar esse determinado recurso, a água, por exemplo, todo mundo pensa, ou melhor, não se pensa mais, mas ninguém pára para pensar que a água pode acabar ou não ter mais água limpa. E não é tão difícil assim, você usar racionalmente, acho que precisa mudar mas não acredito que precisa ser tão drástico, e acredito também que se a gente não mudar talvez, não para mim nem para você, mas pro futuro, talvez a nossa sobrevivência seja mais difícil.
Acredito que pode acontecer, nada é de graça, a natureza pode se revoltar contra o próprio homem, porque o nível de destruição é tão grande que traz prejuízos ao homem. Mas a transformação tem que ser geral, não só em termos de ambiente, tem que ser a longo prazo, não pode-se tomar medidas práticas, não pode ser assim! Não se pode dizer que não se pode usar mais madeira para nada, e aí, a gente já incutiu na nossa cabeça, tudo é de madeira, móveis, etc. Temos que buscar outras alternativas, e uma mudança geral, e aos poucos isso vai sendo transformado.
Eu acredito que tantos os problemas em relação à saúde, na questão social ou na questão do meio ambiente deveriam levar a uma transformação maior do ser humano. Muitos povos já desapareceram, nações desapareceram, muitas vezes por problemas internos, de guerras internas, entre tribos. Então, a transformação começa na célula, que seria o indivíduo, para depois trabalhar o interior, não dá para fazer uma coisa antes ou depois. Mas acho importante o interior, o desenvolvimento do ser humano, é sempre importante transformar, realmente revolucionar, tentar propostas mais ousadas para mudar, o que são as relações humanas e do ser humano com a natureza. Precisa transformar muitas coisas.
Acho que revolta da natureza, é meio... sei lá. Transformar sim, - já acho que revolucionar... esse termo tão... quando penso em revolução penso em uma coisa de uma hora para outra, não é bem por aí. Transformar sim, acho que mudar o modo de vida sim, porque toda a ação corresponde a uma reação, mas acho muito radical dizer revolta da natureza. Do jeito que vai, caminha para isso, né? Revolta da natureza é meio radical, mas transformações são necessárias sim, mudança de modo de vida sim, porque é preciso uma adaptação. Se continuar do jeito que vai indo, não tendo uma visão pessimista, acho que a gente vai caminhar pro fim da espécie. É necessário transformar sim. Porque revolta da natureza sim, em função de se preservar mais, seria no sentido de uma melhor utilização dos recursos, porque a gente faz parte do meio. E vem a nós e ao vosso reino, nada, também não! É uma via de duas mãos. A partir do momento que a gente está tirando tem que contribuir com alguma cisa, porque pode durar mais 100, 150 anos, mas é depois?
Não acredito nisso de revolta da natureza e da destruição da espécie humana. Acho que é preciso mudar e como é que se muda, acho que é através da educação e tem que pegar base nessa educação Ambiental.
Em relação à 3a questão, concordo que tem que ser uma transformação rápida, pontual no sentido de ser um objetivo claro de mudar a consciência. Como eu falei na questão 2, que para a gente reverter essa situação ou pelo menos estabilizar ela, pra depois pensar numa forma de recuperar, vê se consegue recuperar o estrago. Não sei se destruição vai ser, mas vamos passar um aperto lascado.
4. Comentando Alguns Dados da Pesquisa
Os argumentos apresentados no item 3 representam o pensamento de uma pequena parte do total de alunos do curso de pós-graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais. Para nossa análise destacamos alguns pontos que, acreditamos, merecem considerações. As falas causaram-nos certa preocupação, pois estas enquadram-se nas observações críticas feitas por Grün (1996), quando ele diz que não há uma compreensão adequada das questões ambientais em educação, nem da natureza política e ética da devastação ambiental no meio universitário.
Identificamos nas respostas uma confusão entre os significados de desenvolvimento e meio ambiente, pobreza e degradação do meio ambiente, natureza e meio ambiente, ecologia e cultura, política e educação. A afirmação que mais chama a atenção é sobre a concepção de que a pobreza gera os problemas ecológicos. Esse pensamento é unânime tanto para a população em geral como para alguns ambientalistas, veículos de comunicação, políticos e cientistas. Ele é facilmente encontrado na literatura, sob o termo subdesenvolvimento ou países em desenvolvimento, como em Minini (1994, p.19); Corson (1993, p.42), respectivamente:
...os problemas ambientais não são unicamente os que derivam do aproveitamento dos recursos naturais e os que se originam da contaminação, mas também aqueles advindos do subdesenvolvimento.
(p.19)Em muitos países em desenvolvimento, pobreza, dívida externa, necessidade de exportar para adquirir moeda estrangeira, política de governo inadequada e superpopulação fazem com que os recursos naturais sejam utilizados em excesso e de forma inadequados, ou destruídos.
Ao atribuirmos a culpa dos problemas ecológicos aos pobres dos países em desenvolvimento, imediatamente lembramos da seguinte colocação de Sagan (1998, p.131) quando disse:
O maior emissor de CO2 no planeta são os Estados Unidos. O segundo maior emissor de CO2 é a Rússia e as outras repúblicas da antiga União Soviética. O terceiro maior emissor, se os considerarmos em conjunto, são todos os países em desenvolvimento. Esse é um fato muito importante: não é apenas um problema para as nações altamente tecnológicas por meio da agricultura das queimadas, do uso de lenha, e assim por diante, os países em desenvolvimento também dão uma contribuição importante para o aquecimento global. (...) O emissor seguinte, em ordem de cumplicidade é a Europa Ocidental, depois a China e só então o Japão, uma das nações com o emprego mais eficiente de combustíveis fósseis na terra.
Diante destas informações, perguntamos: se a responsabilidade é dos pobres, de que pobres estamos falando?
Dizer que pobreza gera os problemas ecológicos é, sem dúvida, um pensamento fragmentado, cartesiano, reducionista, simplificado e desprovido de qualquer perspectiva de ser parte do emergente contexto das ciências ambientais, pois denotam a nossa cultura antropocêntrica. Esse mesmo argumento vem sendo repetido há muito tempo, sem discutir dimensões fundamentais da crise global que envolvem aspectos históricos, sócio-econômicos, culturais e ambientais, indissociáveis na visão da educação ambiental.
Nossa análise acerca das falas dos estudantes de pós-graduação nos remete a Capra (1982) e Grün (1996). Nós, biólogos e/ou ecólogos, estamos cerceados para pensar sobre a crise ambiental, pois geralmente permanecemos em nossa especialidade disciplinar e limitamos o conhecimento sobre as outras áreas que não sejam a biologia ou a ecologia.
A capacidade para entender em que condições o Brasil deveria priorizar o fim da pobreza e ou das questões ecológicas necessitaria de uma série de leituras acerca da complexidade do meio ambiente e segundo Ruiz e Bellini (1998) transitar por diferentes ciências e dentro das chamadas ciências da educação.
Ao longo das respostas dos entrevistados foi dada à educação a responsabilidade para se resolver uma grande parte dos problemas ecológicos e da pobreza. Essa sugestão nos remete ao questionamento: A que educação ele(a) está se referindo? Será aquela em que há séculos o processo de escolarização tem o mesmo padrão de ensino-aprendizagem, no qual a relação professor-aluno é unidirecional, sempre o professor ensina e o aluno aprende (Ruiz & Bellini, 1998). Sabemos que no Brasil a educação escolar está comprometida com o arcaico, pois, salvo raras exceções, o professor incorpora o verbalismo para ensinar, transmite os conteúdos, repete enunciados sem sentido ou errôneos, manda os alunos fazerem tarefas que são meras cópias, usa apenas o livro didático, quando faz uma pergunta logo dá a resposta, não admite perguntas e muito menos a formulação de hipóteses, a memorização é a prática recomendada para aprender a lição seguinte (a velha decoreba). Enfim, a educação escolar há muito tempo despreza a inteligência das crianças, adolescentes e até adultos. Isto não é somente "privilégio" do Brasil, como diz Sagan em seu livro O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro (1996, p.316):
Ensinar era uma profissão admirada, em parte porque se reconhecia que a educação era o caminho para sair da pobreza. Pouco disso é verdade hoje em dia. E assim, o ensino da ciência e de outras disciplinas) é muitas vezes ministrado de forma incompetente ou pouco inspirada, pois, espantosamente, seus profissionais têm pouca ou nenhuma formação nas próprias disciplinas, mostram-se impacientes com o método, têm pressa de chegar às descobertas da ciência e às vezes são eles mesmos incapazes de distinguir a ciência da pseudociência.
Os resultados da pesquisa demonstraram a dificuldade dos entrevistados em conceituar educação ambiental. Assim, se não há clareza, não há compreensão, tampouco há conhecimento do que pode ou poderia ser educação ambiental. Como reagir, então, diante da colocação de Rolston (1992) apud Grün (1994, p.188): "(...) daqui para frente, uma educação, que não seja ambiental, não é educação de modo algum".
Desse modo, percebemos uma contradição nos argumentos que envolvem a noção de educação ambiental (formas de, práticas de), ecologia, noção de meio ambiente e sua relação com questões ecológicas. Isso denota um problema já levantado por vários autores. Esse problema provavelmente tem suas origens em nossa cultura antropocêntrica, tão marcante no pensamento ocidental (aquela que separa o Homem como centro de tudo e a natureza) e que, segundo Grün (1996, p.21/51) está presente na educação moderna, desta maneira:
A educação ambiental surge hoje como uma necessidade quase inquestionável pelo simples fato de que não existe ambiente na educação moderna. Tudo se passa como se fôssemos educados e educássemos fora de um ambiente.(p.21). As áreas de silêncio do currículo caracterizam-se por uma ausência, às vezes completa, de referência ao meio ambiente. A natureza é esquecida, recalcada e reprimida. Ela é silenciada.
Na perspectiva apontada por Grün, a teoria educacional está inserida num contexto de crise (crise de valores, da ou de ética, dos paradigmas, da modernidade, da cultura ocidental) e toda a estrutura conceitual do currículo escolar assenta-se sobre bases cartesianas-newtonianas e, nesse caminho, é preciso retomar a discussão sobre nossos valores culturais/ecológicos quando vamos trabalhar com ciências ambientais, pois como se justifica que futuros mestres e doutores em ecologia tenham um pensamento tão alheio às discussões dos novos paradigmas? Essa lacuna em nosso pensamento desfalca, "suprime e objetiva os conceitos científicos", como disse Mazzotti (1997, p.123), ao concluir sua pesquisa sobre Representação Social de Problema Ambiental: Uma Contribuição à Educação Ambiental.
Quanto à terceira questão, os estudantes associaram o despertar da consciência ecológica com a necessidade de transformar e mudar nosso modo de vida. Diante dessa colocação poderíamos considerar que esse pensamento "(...) é típico de uma fase de transição paradigmática", como disse Grün (1994, p.173). No entanto, ao longo das suas respostas deixaram transparecer que a transformação é necessária para nossa sobrevivência, mas sem abrir mão de todo o "conforto" que nos foi dado pela ciência e tecnologia e que essa transformação deve acontecer a longo prazo.
Neste sentido, entendemos que temos a dificuldade em pensar e enfrentar a crise ambiental. Isto é, mesmo diante da crescente degradação ambiental sem precedentes da, que, segundo Sagan (1998, p.81) - "estamos nos tornando um perigo para nós mesmos" - parece que não estamos dispostos a buscar uma nova relação com a natureza, ou seja, não estamos interessados em deixar o atual paradigma mecanicista, pois, como falou Grün (1996, p.62), isso implicaria em "esquecer, abandonar e deixar para trás o mecanicismo reducionista".
Os estudantes demonstraram certa apreensão quanto ao uso da palavra "revolucionar", pois pelo visto ela foi tomada no sentido de rebelião armada e/ou política, muito diferente do contexto ao qual nos referimos, que foi o de considerar as transformações, tais como a revolução neolítica, revolução agrícola, revolução científica, revolução industrial, etc., que afetaram e ainda afetam a humanidade no curto período (apenas um milhão de anos) em que habita a Terra. Levantamos aqui algumas perguntas: O quanto estamos distanciados das discussões políticas, econômicas e filosóficas acerca da relação homem e natureza? Como pensar as ciências ambientais a partir de um conjunto de reflexões interdisciplinares? Ou, ciência ambiental pode ser circunscrita apenas dos conhecimentos e pesquisas biológicas?
Não temos certeza de quais são as respostas a essas questões, mas podemos localizar a insuficiência de reflexões sobre o homem e o meio ambiente e sobre o que é meio ambiente. É preciso ter consciência de que estas são relações complexas e que exigem reflexões profundas. Para estas reflexões podemos contar com as contribuições do historiador Warren Dean, do astrônomo Carl Sagan e do filósofo Edgar Morin, cujas idéias, de forma alguma excludentes entre si, nos dão a direção deste novo pensamento. Nossa busca pelo conhecimento biológico ou não - encontra-se em meio a esta ebulição de idéias.
Nossa última análise sobre as respostas nos revelam uma lacuna entre natureza, homem e sociedade.
5. Considerações Finais
Nunca será possível exagerar a importância da educação ambiental. Comparável ao correto conhecimento sobre a natureza e o ambiente é a reciclagem do nosso próprio conhecimento a respeito da realidade. Rohde (1994, p.42)
A visão dos estudantes parece apontar o quanto ainda estamos ligados ao pragmatismo imediato das populações civilizadas e impregnados numa concepção de mundo própria do senso comum. Isso representa um desafio para se pensar e praticar a educação ambiental em termos teóricos e epistemológicos, considerados por Grün, ainda incipientes no Brasil.
Entendemos que para pensar educação ambiental não é possível separar os conhecimentos biológicos e jogá-los para a educação. Seria uma atitude de indiferença com a formação de uma consciência ambiental, já que nem a educação resolveu a pergunta: Quem educa os educadores? Ou seja, os próprios educadores e as teorias educacionais, como disse Grün, não conhecem a noção de meio ambiente. Pouquíssimos educadores se voltaram a pensar o meio ambiente. Entendemos também que é necessário um retorno mais profundo para a descoberta do significado de ciências ambientais, envolvendo as dimensões ecológicas com as das ciências humanas, em seu sentido geral. Essa perspectiva relacional entre ecologia e ciências humanas podemos ver nos estudos do epistemólogo Piaget, do biólogo Maturana, do filósofo Morin, do astrônomo Sagan, do poeta e filósofo Goethe, do físico Capra, do historiador Dean, do neurologista Sacks, que dão, ao nosso ver, contribuições valiosas ao que Morin chamou de confederação dos conhecimentos necessários à educação ambiental. A ausência dessa visão interdisciplinar e das relações entre as diferentes áreas de conhecimento, parecem estar impedindo a construção de uma concepção, de fato, ambiental em que homem, sociedade, cultura e ecologia são partes múltiplas de uma mesma dimensão: a do viver num mundo como o nosso.
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